Histórias

Aviões de Papel - Mafalda Sttau Monteiro

 

O Rafael e o Miguel, os dois voluntários chegaram, descontraídos e bem-dispostos e lançaram-nos o primeiro desafio: quem faz um avião de papel que voa mais longe. A confusão instalou-se na sala, todos fazíamos o melhor avião e tínhamos a certeza da vitória, “porque tens de dobrar assim, porque a ponta está dobrada e não vai cortar o vento…”. 3,2,1… No final do lançamento, no fundo do corredor, o vencedor era um papel em formato de bola todo amarrotado atirado pelos voluntários. “Quem disse que havia regras para fazer um avião? Porque é que o avião de papel tem de ser todo aerodinâmico se depois não voa?” Pela primeira vez fomos ensinados a pensar fora da caixa.

Iniciamos a nossa viagem pelo programa a “Empresa”, a minha equipa desenvolveu as “Natural Nails” uma mini-empresa vencedora do “Communication Award” na Junior Achievement Trade Fair 2010 e a 3ª melhor mini-empresa a nível nacional. Tive a minha primeira experiência internacional, partilhamos com os aprendizes de empreendedorismo de toda a Europa as nossas ideias, a nossa experiência e a nossa cultura. No final estávamos tal e qual o avião, “amarrotadas”, com histórias e aventuras incríveis que ficam para contar e a experiência e conhecimento para utilizar.

Quatro anos mais tarde, a ligação à JAP não tinha terminado, estava na altura de apanhar o próximo voo… Lembro-me de entrar com o Pedro e com o Gonçalo numa sala, olharmos para as caras curiosas dos nossos novos alunos e lançar-lhes um desafio. “Quem faz um avião de papel que voa mais longe?”. Foi a minha primeira experiência como voluntária, estava do outro lado da sala e era a minha vez de partilhar tudo o que sabia sobre pensar fora da caixa e a minha paixão pelo empreendedorismo.

Fui voluntária em turmas com várias idades e aprendi com todos eles, senti a alegria dos mais novos ao abrir a porta da sala de aula todas as semanas, tive orgulho nos mais velhos quando foram escolhidos para as competições e senti a tristeza no olhar deles quando a mini-empresa fechou. Acredito que fiz a diferença na vida de cada um daqueles alunos, foi uma sensação verdadeiramente gratificante.

E porque um empreendedor nunca deixa de aprender, um ano mais tarde voltei a fazer o papel de aluna, e participei no Accenture Innovation Challenge, que me proporcionou a minha primeira experiência profissional. A Junior Achievement teve um papel significativo na minha vida, faz parte da pessoa em que me tornei, ajudou-me a alcançar objectivos, deu-me força para novos desafios e amizades para toda a vida.

Como marketeer junior confesso-vos “Aprender a empreender” ganha o prémio marca com melhor “mote”. Desafio-vos a encontrar melhor!